
Diante de um cenário de incerteza econômica, surgiu a pergunta: os novos produtos de pet food estão avançando ou sendo colocados em espera? A pesquisa sobre inovação realizada pela Petfood Industry em novembro revelou uma postura cautelosa em relação aos lançamentos de novos produtos à medida que o 2026 se aproxima.
Os dados para a pesquisa foram coletados entre 17 de novembro e 5 de dezembro de 2025 a partir de formulários online respondidos por profissionais da indústria de pet food dos Estados Unidos.
Desenvolvimento atual de novos produtos de pet food
Apenas 35% dos respondentes relataram estar desenvolvendo e lançando produtos dentro do cronograma previsto, enquanto 30% indicaram que não estão desenvolvendo novos produtos no momento.
Outros 17% afirmaram que continuam desenvolvendo, mas enfrentam atrasos nos cronogramas de lançamento, e 8% avançaram com a inovação, porém engavetaram alguns produtos. Além disso, 10% pausaram totalmente todas as atividades relacionadas a novos produtos.
O que isso significa: esses resultados podem sinalizar um afastamento dos ciclos agressivos de desenvolvimento de produtos que caracterizaram o setor nos últimos anos.
Principais desafios para novos produtos
Entre aqueles que adiaram ou suspenderam lançamentos, a incerteza quanto à demanda do consumidor surgiu como a principal barreira, citada por 30% dos respondentes. Custos de matérias-primas e restrições na cadeia de suprimentos ficaram em segundo lugar, com 21%, seguidos por limitações orçamentárias internas (12%) e preocupações com conformidade regulatória (9%).
Desafios relacionados ao varejo e à distribuição afetaram 6% dos participantes, enquanto apenas 3% apontaram dificuldades para encontrar cofabricantes ou capacidade produtiva.
O que isso significa: fabricantes de pet food americanos parecem estar mais preocupados em saber se os consumidores irão comprar novos produtos do que se conseguem produzi-los.
Impacto do atual cenário econômico
O ambiente econômico tem remodelado as estratégias de inovação. Mais de um terço dos respondentes (34%) afirmou ter adiado a maioria das iniciativas de novos produtos, enquanto 31% relataram desaceleração da inovação, mas com continuidade dos projetos.
Quase 19% aceleraram a inovação para capturar oportunidades de mercado, e 9% mantiveram o ritmo originalmente planejado. Apenas 6% direcionaram o foco especificamente para extensões de linha, em vez de produtos verdadeiramente inovadores.
O que isso significa: embora muitos tenham adotado estratégias defensivas, desacelerando ou postergando lançamentos, o fato de quase um quinto dos fabricantes ter acelerado a inovação sugere que alguns enxergam o cenário atual como uma oportunidade.
Prioridades de inovação daqui para frente
Entre aqueles que ainda pretendem investir em inovação nos próximos 12 a 18 meses, saúde e nutrição funcional lideram a lista de prioridades, com 36%, seguidas por produtos premium e super premium e por opções voltadas ao valor percebido, ambos com 24%.
Formatos frescos e congelados despertaram interesse de 21% dos respondentes, enquanto proteínas, ingredientes inovadores, petiscos e toppers receberam 15% cada. Produtos sustentáveis e ambientalmente responsáveis ficaram na última posição entre as áreas ativas de inovação, com 12%. Vale destacar que 24% selecionaram a opção “nenhum”, indicando que não estão priorizando inovação no momento.
O que isso significa: a forte ênfase em saúde e funcionalidade, combinada com um interesse equilibrado tanto em segmentos premium quanto em produtos orientados a valor, revela que os fabricantes estão diversificando apostas entre diferentes faixas de preço. A menor prioridade dada à sustentabilidade pode indicar que, no momento, benefícios respaldados pela ciência estão superando mensagens ambientais.
Perspectivas de mercado para 2026
Olhando para 2026, a confiança na capacidade do mercado de absorver novos produtos permanece dividida. Apenas 10% dos respondentes demonstraram forte confiança na demanda por inovação, enquanto 39% se disseram moderadamente confiantes de que existem oportunidades seletivas.
Quase um terço (32%) relatou incerteza em relação às condições de mercado, 13% acreditam que o mercado está saturado com os produtos existentes, e 6% afirmaram não ter confiança por conta de varejistas e consumidores imprevisíveis.
O que isso significa: com apenas metade dos respondentes expressando algum nível de confiança e somado a quase um terço demonstrando incerteza quanto ao mercado, o setor pode estar se preparando para um período prolongado de inovação cautelosa e seletiva no próximo ano.
















